Entrevista de Armando Fernandes ao Jornal “mais oeste” nº 68 de 2 Dezembro de 2011

Entrevista de Armando Fernandes ao Jornal “mais oeste” nº 68 de 2 Dezembro de 2011


Realizada pelos Jornalistas Filipa Santos e Jaime Montez da
Silva




 Jornal Mais Oeste (MO) Explique-nos
o que é o business coaching?





MO: Como é feita a triagem
entre o que é essencial ou não?





AF: Um pouco como os médicos, com
um diagnóstico. Um diagnóstico e alguma introspecção. Obrigar que as pessoas a
libertarem-se e contarem as suas ansiedades e necessidades.





MO: Já não há tanto receio
em partilhar os segredos por detrás do negócio?




AF: Depende. Muitos empresários
têm esse receio. A questão é que têm de perceber que hoje não há segredos. A
invenção é feita pela associação de ideias e a colocação de mais qualquer
coisa. Têm de perceber (os empresários) que estão no mundo competitivo e estão
a ser observados por outros. Se têm êxito, vão ser copiados por outros. O que
têm de fazer é como um atleta, ir para a frente. A grande diferença hoje nos
negócios está na centésima de segundos dos cem metros. Podem fazer tudo muito
bem mas se chegar o momento de decisão e não tiverem o produto nas devidas
condições, perdem para um concorrente.




MO: Quais são os
principais factores de diferenciação entre um empresário que consegue concretizar
e outro que fica para trás?




AF: O treino é fundamental
assim como a preparação, o planeamento e a organização. A escolha das pessoas
certas para os sítios certos, a integração das pessoas, mais do que o
recrutamento. Podemos ir buscar o melhor jogador do Mundo mas se não fazemos a
integração e se a organização não está preparada para ele trabalhar com as suas
competências, ele não produz.





 
MO: O desporto colectivo é
uma boa referência para fazer passar a sua mensagem?




AF: É. Quando um empresário olha
para a sua empresa e diz “eu tenho uma equipa” tem um posicionamento diferente
do empresário que vai contratar pessoas “para fazer isto”. “Podemos ir buscar o
melhor jogador do Mundo mas se não fazemos a integração e se a organização não
está preparada para ele trabalhar com as suas competências, ele não produz.”




MO: Não é então apologista
do Outsourcing?





AF: O outsourcing, devidamente controlado.
O outsourcing não é delegar. É abdicar. Alguém vai fazer este serviço por mim. Quando
eu delego, eu devo entregar as coisas e controlá-las.




MO: Na sua opinião é
preferível contratar um novo recurso humano?





AF: Não. Depende das situações.
Há muitas vezes a incapacidade de algumas organizações conseguirem ir buscar os
profissionais devidos para aquela tarefa. Se quiser entregar essa tarefa ao
outsourcing, tem de saber qual o resultado final da mesma e exigir que esse
resultado final seja obtido.




MO: O seu trabalho passa também
por ajudar os empresários a perceber se, em determinada situação, contratar um
recurso é uma mais-valia ou se é preferível recorrer ao outsourcing...





AF: Sim. Em primeiro lugar qualquer
empresário tem de olhar primeiro para os custos-benefícios e perceber se os
benefícios são superiores aos custos.




MO: Já não funcionam as
contas à merceeiro
?





AF: Funcionam as contas à merceeiro.
Neste momento a complexidade de ferramentas de gestão é tão grande associada
aos sistemas informáticos que as pessoas se esquecem do fundamental, que é a
conta do merceeiro.




 MO: Quando falamos de contas à merceeiro
significa que se um produto vale um, vendido por dois, ganha-se um...





AF: Os empresários têm de perceber
uma coisa: hoje as empresas têm grandes sistemas de informação. Sabem a
informação toda dos clientes e os seus comportamentos. O empresário deve olhar
para a folha de caixa diária e para a facturação e entender o comportamento dos
clientes. Se perceber o comportamento, tem o melhor sistema de business
intelligence para analisar o comportamento e seguir estratégias em função
disso.




MO: Cada vez mais se
regressa a modelos de negócio do passado e que agora são considerados inovadores.
Parcerias e trocas directas entre empresas são exemplos…





AF: É verdade. Nas grandes empresas,
em países onde há um espírito colaborativo superior ao nosso, isso é tido em
conta. Uma das críticas que faço a certas associações de empresários, é que muitas
vezes apenas pretendem financiamento ao invés de concretizarem políticas
colaborativas. Uma empresa especialista na produção de determinado equipamento,
tendo em conta que tem uma empresa ao lado especialista noutra parte desse
equipamento, poderia juntar-se e produzir marcas diferentes. Isso não acontece.





 MO: Isso significa fusão?




AF: Não. Significa parceria. O que
acontece em Portugal é que há empresas que fazem parcerias com empresas
estrangeiras e são “comidas” por essas empresas que têm maior capacidade
financeira.




MO: É importante
distinguir colaborar e corporativar.





AF: Sim, é verdade. Aliás, o meu
raciocínio é idêntico ao que referi em relação ao outsourcing. Seja qual for a
empresa, não se deve desligar das suas competências e capacidades. Deve controlar,
delegar e não, abdicar. Quando criamos mecanismos de colaboração com outra pessoa
e abdicamos, estamos a entregar-lhe a liderança. A empresa não pode perder
liderança sobre a sua autonomia e actividade. A empresa, por outro lado, deve
ser entendida como equipa e não como um modelo tradicional de patrão e
empregados.

É uma entidade
colaborativa, tal como o futebol. Cada pessoa tem a sua função e actividade.
Cada um sabe o que tem a fazer para atingir um objectivo comum.




MO: Fale-me do Programa
Fazer, formação para empresários, que estará disponível até ao final de 2011.





AF: É
um sistema de Coaching de grupo. De competências de formação em sala, a
empresários, tendo em conta a especificidade das matérias, que são simples como
equilibrar uma empresa, como montar um marketing, como motivar e criar
condições para vender, como admitir colaboradores, como criar um negócio que dê
rentabilidade e liberdade. Estas coisas são dadas em grupo, depois há a
componente de trabalho individual. O empresário
não fala das suas estratégias e dos segredos de negócio perante os outros, mas
fá-lo comigo.
 




MO: Há portanto, uma
análise interna da empresa, do empresário mas também da relação entre a empresa
e o consumidor final.





AF: É verdade. Passa muitas vezes
por um empresário entender o seu mercado. Tenho encontrado imensos empresários
que mandam fazer estudos de mercado que são, muitas vezes, ajustados aos
resultados que as pessoas pretendem. A primeira coisa que um empresário tem de
ter perceber é a sensibilidade de saber quem são os seus clientes e, a partir
daí, pode montar comigo uma estratégia de aproximação e desenvolvimento dos
seus clientes. Temos de nos lembrar que 68% das pessoas deixam de nos comprar
porque os ignoramos e não por causa do preço.




MO: O conceito de
topservice encaixa nesta situação?





AF: Encaixa sim.




MO: A vertente de
proximidade e o serviço de acompanhamento é essencial e está a ser adoptado
pelas grandes empresas?




AF: As grandes empresas têm cartões
de fidelização que são dados por grandes superfícies para fazer isso.  É  uma
proximidade impessoal, mas no fim quando aparece uma conta, não diz quanto gastou,
diz em letras garrafais “Você tem não sei quantos euros para receber”. As
empresas, principalmente tradicionais, têm de pensar como pensava o merceeiro, que
sabia os gostos pessoais da família toda. Isto é a diferença. As grandes
empresas investem seriamente nesta situação, é evidente que também investem
noutras. O pequeno empresário tem alguma dificuldade mas tem uma capacidade que
as grandes empresas não têm. Pode ajustar a sua actividade à inovação neste
mercado. É errado alguém criar uma empresa e ir tentar conquistar mais mercado,
quando o vai fazer, só o consegue combater com o preço. Se ele preparar um
produto, e trabalhar seriamente neste mercado, tem potencialidade de ter êxito.
Não digo que o terá, porque há outros componentes.





MO: O que gostaria de
acrescentar mais?




AF: Sou um cidadão do Oeste, trabalhei
muitos anos em Lisboa. Sou torreense e há quatro anos decidi trabalhar com esta
actividade de business coach. Vim trabalhar para o Oeste porque estou perto da
minha família e também porque deixei de entrar na confusão do trânsito em
Lisboa, fartei-me em vinte e tal anos. Decidi fazer algo que me dá gosto. Consigo
verificar resultados e entendê-los. Decidi ajudar a economia local e os
empresários a terem negócios mais rentáveis e, assim, ajudar também a economia regional.
Tenho serviços de coaching, de formação, de recrutamento e integração de
pessoas e, quando trabalho, trabalho sozinho. E isto devido à questão da
confidencialidade. Tenho também o princípio de, se estou a trabalhar com um
negócio, só passado um ano, trabalharei com uma empresa com a mesma actividade.





Publicada no jornal “mais
oeste” de 2 de Dezembro de 2011 edição nº 68




Pode fazer o download deste
jornal no site http://agenciaglobal.org/





Para Download da entrevista
http://www.personal-business-coach.pt/ficheiros/downloads/entrevistadearmandofernandes_maisoeste.pdf